Aprender, aprender sempre! (Lenin)

Ainda que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo
(José Saramago)

(…)
- Não, não fujo. Aprendi a ver mais longe que a sola destes sapatos, aprendi que, por detrás desta vida desgraçada que os homens levam, há um grande ideal, uma grande esperança. Aprendi que a vida de cada um de nós deve ser orientada por essa esperança e por esse ideal. E que se há gente que não sente assim, é porque morreu antes de nascer… - Sorriu e acrescentou.- Esta frase não é minha. Ouvi-a há muitos anos..

José Saramago, in Claraboia

É raro ver-se um artista na casa dos 30 ou dos 40 anos contribuir com alguma coisa realmente extraordinária. É claro que existem algumas pessoas com uma curiosidade inata, que são eternas crianças na maneira como se maravilham com a vida, mas são raras.
Os nossos pensamentos constroem padrões semelhantes a dobras na nossa mente. Nós estamos efectivamente a esboçar padrões químicos. Na maioria dos casos, as pessoas ficam presas nesses padrões, como nos sulcos de um disco, e nunca saem deles.
Se quisermos viver a vida de forma criativa, como um artista, não podemos olhar muito para trás. Temos de estar dispostos a agarrar naquilo que fizemos, na pessoa que fomos, e deitá-lo fora.
Quanto mais o mundo exterior tenta impor-nos uma imagem nossa, mais difícil é continuarmos a ser um artista, e é por isso que muitas vezes os artistas têm de dizer: «Adeus. Tenho de ir. Estou a ficar maluco e vou sair daqui.» E depois ir hibernar para qualquer lado. Talvez mais tarde, voltemos a emergir de uma maneira um pouco diferente.

Steve Jobs

A alegria só pode brotar de entre as pessoas que se sentem iguais

Honoré de Balzac

(Source: facebook.com)

HOJE CRAVARAM DEDOS SUJOS NOS OLHOS DO SOL

15 Janeiro 2012


Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol
E insultaram uma mulher que paria um filho
Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol
E cuspiram na face dum homem caido
Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol
E torturaram crianças inocentes
Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol
Para que fosse escuro e se perdessem os passos
Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol
Para que fosse frio e transissem as esperanças
Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol
Para que fossem mudos os crimes sem nome
Hoje cravaram dedos sujos nos olhos do sol

Mas nós soubemos ainda assim soubemos
Que nasceram
Quando cravaram dedos sujos nos olhos do sol

Carlos Aboim Inglez

designcloud:

Optical illusion paintings by Oleg Shuplyak

These amazing oil paintings show remarkable double images hiding behind dramatic scenes and tranquil landscapes. Through carefully placed objects, characters, coloring and shadows, a second image is cleverly concealed within the first. Really smart and fascinating artwork! 

(via gn66)

(Source: youtube.com)

RECUSO-ME

14 Janeiro 2011

Recuso-me a ficar amolecido
Tragicamente cilindrado
E muito antes de lutar - vencido
E muito antes de morrer - violado

Recuso-me ao silencio e á mordaça
Serei independente, livre e exacto
A verdade é uma força que ultrapassa
A própria dimensão em que combato

Recuso-me a servir a violência
Embora a minha voz nada valha
Mas que fique ao menos na consciência
De que tentei romper esta muralha

Recuso-me a ter medo e a estiolar
Na concha dos poetas sem mensagem
Que me levem o corpo e a coragem
Mas que me fique esta voz para cantar

poema - João Apolinário
imagem - Rogério Ribeiro


No Coração, Talvez

04 Dezembro 2011

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.

 

José Saramago

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

(Source: youtube.com)

03 Dezembro 2011
(…)
A qualquer momento 
qualquer um
pode dizer: eu sou o Che.
Ou mesmo sem o dizer pode partir.
Ou não partir. Mas de qualquer modo
desaparecer.
Subir a uma montanha dentro de si
criar um foco
um centro de irradiação
tanto pode ser uma guerrilha 
como um poema
ou um silêncio. Ou até
porque não
um amor secreto.
Ou simplesmente uma recusa.
Algo de diferente
um gesto que provoque uma alteração de ritmo
uma ruptura
uma súbita e nova relação mágica
consigo mesmo e com os outros.


Então é o Che.
Uma estrela na testa
uma insubmissão
um foco.
Um grande coração a bater em Ñancahuazú.
No centro do mundo
Em parte nenhuma.
Em toda a parte.

Manuel Alegre, in Che

 “Em toda a parte!!”…


Memória do HuGo, o “nosso” Che

03 Dezembro 2011

(…)

A qualquer momento

qualquer um

pode dizer: eu sou o Che.

Ou mesmo sem o dizer pode partir.

Ou não partir. Mas de qualquer modo

desaparecer.

Subir a uma montanha dentro de si

criar um foco

um centro de irradiação

tanto pode ser uma guerrilha

como um poema

ou um silêncio. Ou até

porque não

um amor secreto.

Ou simplesmente uma recusa.

Algo de diferente

um gesto que provoque uma alteração de ritmo

uma ruptura

uma súbita e nova relação mágica

consigo mesmo e com os outros.

Então é o Che.

Uma estrela na testa

uma insubmissão

um foco.

Um grande coração a bater em Ñancahuazú.

No centro do mundo

Em parte nenhuma.

Em toda a parte.

Manuel Alegre, in Che

 “Em toda a parte!!”…

Memória do HuGo, o “nosso” Che

Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los.

- Isaac Asimov

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in “Sonetos”

(Source: youtube.com)

Para que serve o arrependimento, se isso não muda nada do que se passou? O melhor arrependimento é, simplesmente, mudar.

- José Saramago

14 Novembro 2011


No Ano Internacional da Química - Química e Poesia

14 Novembro 2011

À Rita e ao Bruno. Em jeito de homenagem…

                                      Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a cem, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão

António Gedeão, in Poesia Completa