14 Janeiro 2011
Recuso-me a ficar amolecido
Tragicamente cilindrado
E muito antes de lutar - vencido
E muito antes de morrer - violado
Recuso-me ao silencio e á mordaça
Serei independente, livre e exacto
A verdade é uma força que ultrapassa
A própria dimensão em que combato
Recuso-me a servir a violência
Embora a minha voz nada valha
Mas que fique ao menos na consciência
De que tentei romper esta muralha
Recuso-me a ter medo e a estiolar
Na concha dos poetas sem mensagem
Que me levem o corpo e a coragem
Mas que me fique esta voz para cantar
poema - João Apolinário
imagem - Rogério Ribeiro





